Imagem Aleatória

Sarampo: nenhum estado brasileiro atinge meta de vacinação e surtos em países vizinhos preocupam

A primeira dose oferece proteção de aproximadamente 94% a 96% contra a doença, enquanto as duas doses elevam a proteção para mais de 97%.
Compartilhe

O Brasil intensifica as ações de vigilância epidemiológica e vacinação para evitar o retorno da transmissão sustentada do sarampo. Apesar de ter recuperado, em novembro de 2024, o reconhecimento de país livre da circulação endêmica da doença, o avanço dos casos em países vizinhos aumenta o risco de novos surtos em território nacional.

O Peru já registra cerca de 3 mil casos, enquanto a Bolívia enfrenta uma situação preocupante. Diante desse cenário, o Ministério da Saúde tem reforçado a vacinação com a tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, especialmente nos municípios próximos à fronteira com o Peru, no oeste do Amazonas.

Embora o Brasil apresente sua melhor cobertura vacinal contra o sarampo desde 2016, nenhum estado atingiu a meta de imunizar 95% das crianças menores de dois anos com as duas doses recomendadas. A cobertura nacional com o esquema completo permanece abaixo de 80%, o que preocupa especialistas.

A primeira dose oferece proteção de aproximadamente 94% a 96% contra a doença, enquanto as duas doses elevam a proteção para mais de 97%.

Casos importados podem provocar novos surtos

Mesmo sem transmissão sustentada, o Brasil continua registrando casos de sarampo associados a pessoas infectadas no exterior. Em 2025, foram contabilizados 39 casos, enquanto, em 2026, o número já ultrapassou 50, segundo o infectologista Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).

A maioria dos registros deste ano ocorreu em São Paulo, principalmente na capital. A entrada de pessoas infectadas, somada à existência de comunidades com baixa cobertura vacinal, pode favorecer o surgimento de novos surtos.

O último caso de transmissão autóctone — quando a infecção ocorre no próprio território foi registrado em junho de 2022, no Amapá. Entretanto, a circulação internacional de pessoas mantém o risco de reintrodução do vírus.

Segundo especialistas, a meta de 95% de cobertura vacinal é fundamental para impedir a transmissão contínua. Além de alcançar esse percentual, é necessário garantir que a imunização seja distribuída de maneira uniforme entre regiões e grupos populacionais, evitando concentrações de pessoas desprotegidas.

Avanço internacional preocupa especialistas

Os Estados Unidos também enfrentam um cenário preocupante, com mais de 3,6 mil casos de sarampo registrados em 2026, além de cinco mortes. A queda na cobertura vacinal, a desinformação e o crescimento dos movimentos antivacinação estão entre os fatores apontados para o agravamento da situação.

Outros países das Américas, como Canadá, México, Guatemala, Argentina, Bolívia, Peru e Paraguai, também registram casos ou surtos da doença.

Especialistas alertam que informações falsas sobre a segurança das vacinas e a redução da percepção sobre a gravidade do sarampo dificultam a adesão à imunização. A vacinação continua sendo a principal medida para prevenir a doença e suas complicações.

Sarampo pode provocar complicações graves

O sarampo é uma doença altamente contagiosa, transmitida pelo ar por meio de tosse, espirros, fala e respiração de pessoas infectadas. Entre as principais complicações estão pneumonia, otite, encefalite e, em casos graves, a morte.

Crianças pequenas, especialmente menores de um ano, e pessoas imunossuprimidas estão entre os grupos mais vulneráveis. A infecção também pode provocar a chamada amnésia imunológica, reduzindo temporariamente as defesas do organismo e aumentando a vulnerabilidade a outras infecções por meses.

Os sintomas mais comuns incluem febre alta, tosse seca, conjuntivite e mal-estar intenso. As manchas vermelhas geralmente aparecem entre três e cinco dias após o início dos sintomas, começando pelo rosto e pela região atrás das orelhas antes de se espalharem pelo corpo.

Diante de sinais suspeitos, a recomendação é procurar atendimento médico.

Quem deve se vacinar?

A vacina tríplice viral é a principal forma de prevenção contra o sarampo. Conforme o Calendário Nacional de Vacinação, o esquema infantil prevê a primeira dose aos 12 meses e a segunda aos 15 meses.

Para pessoas de 5 a 29 anos sem vacinação comprovada ou com esquema incompleto, são recomendadas duas doses. Já para adultos de 30 a 59 anos, a recomendação de rotina é de pelo menos uma dose, conforme o histórico vacinal.

Em situações de surto, as autoridades sanitárias podem ampliar temporariamente a vacinação para outros grupos.

Especialistas reforçam que pessoas com o esquema vacinal completo não precisam receber doses adicionais de rotina quando não houver indicação específica. Manter a vacinação em dia é essencial para proteger a população e impedir que casos importados provoquem novos surtos no Brasil.

Você pode gostar

A previsão indica ventos fortes entre quarta-feira (21) e quinta-feira (22), influenciados pela circulação externa do fenômeno e pelos ventos de nordeste
O edital tem valor estimado de R$ 597,2 milhões e estabelece um contrato de 30 anos, com possibilidade de prorrogação por mais cinco anos
Na área, o policiamento é realizado por equipes do Policiamento Ostensivo Geral (POG) e do Comando de Prevenção e Apoio às Comunidades (Copac)

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Você também pode se interessar
Publicidade