Uma menina de 10 anos foi internada após apresentar sintomas como coceira, falta de ar e manchas pelo corpo em Natal. A família suspeita que o quadro possa estar relacionado ao uso de um detergente da marca Ypê que faz parte do lote suspenso pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) por risco de contaminação por microorganismos.
A Secretaria de Saúde do Rio Grande do Norte confirmou que o caso é investigado com suspeita de possível contaminação pela vigilância epidemiológica.
Segundo os familiares, a criança começou a apresentar os sintomas há cerca de uma semana. O padrinho da menina, Alisson da Silva, contou que ela reclamou inicialmente de coceira e depois passou a ter dificuldade para respirar e até para andar.
Após a divulgação da suspensão das vendas de produtos do lote terminado em “1” da marca Ypê, a família passou a relacionar o caso ao detergente utilizado em casa. O produto continua guardado com eles.
“Quarta-feira passada, 8 dias atrás, ela veio apresentando intoxicação. Até a segunda-feira foram cinco entradas no hospital. A gente começou a suspeitar (do detergente) porque ela estava com pequeno corte na mão e teve uso do detergente na quarta-feira. Ou seja, se sai uma publicação que está acontecendo uma coisa que não é normal, já foi avisado pela Anvisa que estava com uma bactéria, a minha afilhada usa dele e começa a aparecer sintomas, então dá a entender que seja do sabão”, afirmou.
De acordo com os familiares, a menina chegou a ser atendida em outras unidades de saúde antes de ser internada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Pajuçara, na Zona Norte de Natal, na última segunda-feira (11).
Ela permaneceu internada na unidade até a tarde desta quarta-feira (13), quando conseguiu transferência para o Hospital Infantil Varela Santiago.
A mãe da criança informou que o estado de saúde dela é estável e que a menina voltou a conseguir andar. Segundo a família, os médicos apontaram que a paciente apresenta uma infecção bacteriana.
Enquanto aguardam a recuperação da criança, os familiares também esperam o resultado dos exames para esclarecer o que provocou os sintomas.
“O apelo que eu faço é que descubram o problema da minha filha. Eu não quero saber se é detergente, seja lá o que for, não quero saber o que foi que aconteceu, de onde veio essa bactéria.”, disse o pai da menina, Lee Clarean da Silva.
Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde de Natal informou que a paciente recebeu todos os procedimentos de acolhimento necessários na UPA de Pajuçara.
A pasta informou ainda que o caso será investigado pelo Departamento de Vigilância em Saúde do município. Segundo o órgão, não há necessidade de recolhimento de amostra do detergente porque o produto já faz parte de um lote classificado pela Anvisa com orientação de risco.
Ainda de acordo com a secretaria, o resultado dos exames laboratoriais da paciente poderá confirmar ou descartar relação entre os sintomas e o uso do produto.
A Secretaria de Estado da Saúde Pública do Rio Grande do Norte (Sesap) confirmou a transferência da paciente para o Hospital Infantil Varela Santiago, por meio do sistema de regulação.
A Sesap informou que acompanha o caso e que a investigação está sendo conduzida pela vigilância epidemiológica.
Sobre a fiscalização dos produtos suspeitos, a pasta explicou que a responsabilidade em Natal é da Vigilância Sanitária Municipal e, nos demais municípios do estado, da Subcoordenadoria de Vigilância Sanitária (Suvisa). Segundo o órgão estadual, até esta quarta-feira (13) não houve apreensão de produtos do lote citado pela Anvisa no Rio Grande do Norte.
A avaliação técnica de risco dos produtos foi realizada pela Anvisa em conjunto com o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS).
“A Ypê apresentou os lotes em não conformidade para a equipe de fiscalização da Anvisa, exatamente para demonstrar que o processo de testes, identificação e bloqueio de produtos da empresa é eficaz. Esses lotes ficam em quarentena e, em caso de confirmação de não conformidade, são devidamente destruídos.”, informou a empresa em nota.
Fonte- G1
