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Ceará tem 28 projetos de pesquisa para exploração de terras raras

Nordeste pode ser uma das principais fronteiras de mineração para elementos estratégicos.
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O Ceará tem 28 projetos de pesquisa para avaliar a mineração de terras raras em diferentes regiões do Estado. Desde 2025, quando o tema cresceu nas discussões por interesse internacional, foram 13 novas solicitações de pesquisa, segundo dados da Agência Nacional de Mineração (ANM).

As terras raras são um grupo de 17 elementos químicos encontrados em minerais, aplicados em ímãs superpotentes (parte fundamental de carros eletrificados), catalisadores industriais, componentes ópticos e ligas especiais.

O Brasil é o detentor da segunda maior reserva mineral de terras raras do mundo, o que representa cerca de 23% das reservas globais, segundo dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS).

Onde estão as terras raras do Ceará? 

No Ceará, uma das regiões onde esses minerais podem ser encontrados é a da Meruoca, devido à presença de rochas magmáticas.

Outra área importante é a de Santa Quitéria, onde há mineralização de fosfato e urânio, aponta Felipe Holanda dos Santos, do departamento de geologia da Universidade Federal do Ceará (UFC).

A Agência Nacional de Mineração não especifica em quais cidades estão os processos de pesquisa.

“As terras raras ocorrem em várias partes do mundo, em diferentes estados brasileiros, o que pode variar a concentração, o contexto geológico e a possibilidade de aproveitamento econômico”, explica Felipe Holanda.

“No caso do Ceará, há áreas em potencial, mas ainda não é possível afirmar que o Estado tenha elementos únicos ou concentrações superiores às outras províncias”,

O especialista ressalta que o requerimento de pesquisa não significa, necessariamente, que há planejamento economicamente viável de exploração ou uma mina em implantação. A solicitação indica interesse em investigar o potencial geológico daquela área.
O andamento da exploração inclui uma série de trâmites, como mapeamento geológico, análises químicas e mineralógicas, sondagens e estudos de volume de continuidade da mineralização.

NORDESTE PODE SER PRINCIPAL FRONTEIRA DE EXPLORAÇÃO
A exploração é importante para segmentos de alta tecnologia e energia limpa, como turbinas eólicas e motores elétricos. O Serviço Geológico do Brasil destaca Minas Gerais, Goiás, Amazonas, Bahia e Sergipe como os principais depósitos de terras raras no Brasil.

O aumento do número de pesquisas é consequência da especulação sobre a presença de minerais, já que somente 30% do subsolo brasileiro é conhecido, aponta Pedro D’Andrea, diretor nacional do Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM).

“O Nordeste se tornou a principal fronteira de expansão da mineração no País. Quando a gente olha a totalidade de pesquisas de minerais estratégicos, a maior parte está localizada no Nordeste”, explica.

O MAM afirma que o Ceará detém o maior número de assentamentos de reforma agrária com pedidos de mineração do Nordeste.

“Então a mineração está querendo chegar onde ela não chegou, e o Ceará é a fronteira, o Nordeste é a fronteira. E o que está colocado é definitivamente um aumento significativo dos conflitos relacionados à mineração”, comenta.

O efeito da mineração nos territórios varia conforme a fase da exploração e tende a ser atenuado na fase de pesquisa. Já no período de lavra (extração e aproveitamento industrial dos bens de uma jazida), as regiões de mineração são mais afetadas.

“Os impactos podem ser muito mais significativos, incluindo supressão de vegetação, movimentação de solo e rocha, consumo de água, geração de rejeitos, alteração da paisagem, impactos sobre comunidades locais e mudanças no uso do território”, explica Felipe Holanda dos Santos.

EXPORTAÇÃO PARA OUTROS PAÍSES
Estados Unidos e China, as duas maiores potências econômicas, demonstram desejo na exploração internacional de minerais críticos. Em julho de 2025, os EUA formalizaram interesse em acessar as terras raras do Brasil.

Segundo análise do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, deve haver uma disputa sobre a liderança científico-tecnológica planetária. A instituição recomenda o desenvolvimento da cadeia para que não se repitam modelos de exploração predatórios.

Entre 1950 e 1960, os Estados Unidos importaram grande quantidade de areia monazítica brasileira, rica em tório (material radioativo aplicado na indústria nuclear) no contexto da corrida armamentista da Guerra Fria.

“O controle da produção dos próprios ímãs de terras raras deixaria o país em posição mais confortável, permitindo sua integração a cadeias de valor de alto conteúdo tecnológico, ao invés de apenas exportar matéria-prima de baixo valor agregado e importar produtos de maior valor agregado, como os ímãs”, destaca o conselho.

Pedro d’Andrea reitera que o Brasil está atrasado no que aparenta ser o ciclo mais profundo de demanda por minerais. Sem uma política nacional soberana que busque desenvolvimento nacional, o País pode permanecer no papel de mineração para exportação, conforme os interesses internacionais.

“É preciso articular estes minerais estratégicos a um desenvolvimento industrial, por exemplo, que gere desenvolvimento tecnológico, emprego e distribuição de renda. A gente tende a ter um aumento das minerações, e a consequência disso é a reprodução de modelos”, segundo o diretor do MAM.

O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) estuda criar o Centro de Inteligência e Tecnologia Avançadas em Terras Raras para ampliar a capacidade brasileira. O Brasil e a Índia firmaram um acordo envolvendo minerais críticos, com foco em construir “cadeias de suprimentos resilientes”.

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