O cenário desta terça-feira (28) é de canteiro de obras na rodovia CE-025, em Aquiraz, um dia após uma cratera abrir, engolindo diversos veículos e causando a morte de um motociclista no município da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). A intervenção ocorre em etapas, desde estabilizar o terreno até, por fim, o recapeamento asfáltico.
A recuperação da via, localizada no bairro Porto das Dunas, foi iniciada horas após o incidente e deve durar em torno de 10 dias, caso não haja adiamentos devido às chuvas.
Ao Diário do Nordeste, o gerente de Malha Viária da Superintendência de Obras Públicas (SOP), Saullo Câmara, explicou as etapas da obra para consertar a fenda, que se abriu em uma das principais vias que liga cidades e pontos turísticos da Região Metropolitana à Capital.
O gestor detalhou que a recuperação da rodovia começou por volta das 12h de segunda-feira (27), logo após a Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce) liberar o início dos trabalhos.
Na cratera que se abriu, uma pessoa morreu e duas foram hospitalizadas. Uma das vítimas foi atendida em um hospital de Aquiraz e liberada no mesmo dia. A outra, que estava internada no Instituto Doutor José Frota (IJF), no Centro de Fortaleza, recebeu alta nesta terça-feira.
Em 2020, a rodovia passou por uma obra de duplicação, que custou cerca de R$ 27 milhões. A empresa que executou o serviço, inclusive, foi responsável por assegurar qualquer reparo que fosse necessário nos primeiros cinco anos, segundo Saullo, porém o prazo chegou ao fim no ano passado.
A obra de recuperação atual é realizada por outra construtora, contratada para realizar reparos de emergência nas vias administradas pela SOP. Devido ao caráter emergencial, o valor da recuperação só poderá ser calculado ao fim da intervenção, após a realização de um balanço sobre os custos, conforme explica a comunicação da instituição estadual.
Como será cada etapa da obra de recuperação
Na segunda-feira, depois de retirar os veículos e os pertences das vítimas tragados pela cratera, os trabalhos focaram na estabilização do terreno, suavizando o talude da encosta — termo técnico referente à inclinação do terreno. “A gente fez essa recomposição justamente para evitar danos maiores, como o aumento da cratera”, explica o gestor.
estratégia de recuperação foi dividida em etapas. Quando o terreno atingir o nível da tubulação de drenagem, começará a próxima: a reconstrução do sistema de escoamento da água da chuva.
Uma falha nesse sistema de escoamento é a principal linha de investigação da SOP para explicar o surgimento da cratera. “A hipótese com a qual a gente trabalha é que uma dessas manilhas teve algum recalque, uma fuga de material, e acabou em um processo de erosão interna que cedeu a encosta”, detalha Saullo Câmara.
O problema não é comum e, segundo o gestor, é de difícil identificação em verificações de rotina, por ocorrer abaixo do nível do pavimento. “Não é algo que dava para se prever tão fácil.” Como medida de prevenção, a superintendência iniciou a inspeção de outros bueiros ao longo da rodovia.Ao concluir a etapa de reconstrução da drenagem, as equipes da SOP realizarão o nivelamento da rodovia, com base e sub-base, para, então, ser feito o recapeamento do asfalto.
Nesta manhã, ao visitar o local, a reportagem verificou que a cratera estava coberta com um material plástico. Saullo Câmara explica que a lona serve para proteger a fenda e evitar que ela aumente em decorrência de eventuais precipitações. A proteção será usada no período da noite e em momentos do dia em que o “tempo fechar”.
Fonte: Diário do Nordeste.
