O governo dos Estados Unidos ampliou as restrições ao setor de semicondutores ao determinar que empresas fornecedoras suspendam o envio de certos equipamentos para a Hua Hong, a segunda maior fabricante de chips da China. A informação foi divulgada pela Reuters.
A medida, adotada recentemente, faz parte de uma estratégia mais ampla para conter o avanço tecnológico chinês na produção de semicondutores de ponta. Segundo fontes ouvidas pela agência, o Departamento de Comércio dos Estados Unidos enviou comunicados a empresas do setor detalhando novas limitações ao fornecimento de ferramentas e insumos destinados às fábricas da Hua Hong.
Entre as companhias impactadas estão gigantes do setor como Lam Research, Applied Materials e KLA, todas com forte atuação no mercado chinês.
De acordo com a reportagem, a Hua Hong vinha avançando em tecnologias capazes de produzir chips voltados para inteligência artificial, incluindo planos para adotar o processo de 7 nanômetros em uma de suas unidades em Xangai, operada pela Huali Microelectronics. Atualmente, apenas a SMIC, maior fabricante de chips sob contrato da China, domina essa tecnologia no país.
As novas restrições também afetam diretamente a Huali, subsidiária do grupo, e tiveram impacto imediato no mercado financeiro: ações das empresas americanas do setor caíram entre 4% e 6%, enquanto os papéis da Hua Hong recuaram cerca de 3,5%.
A iniciativa reforça a política dos EUA de limitar o acesso chinês a tecnologias críticas, especialmente no campo da inteligência artificial, considerada estratégica por questões de segurança nacional. No entanto, a decisão pode aumentar as tensões entre Washington e Pequim, especialmente às vésperas de um encontro previsto entre o ex-presidente Donald Trump e o presidente chinês Xi Jinping.
Especialistas apontam que, embora as restrições possam desacelerar o desenvolvimento da indústria chinesa de chips, empresas como a Hua Hong ainda podem buscar alternativas com fornecedores locais ou de outros países. Por outro lado, companhias americanas correm o risco de perder bilhões de dólares em receitas com a limitação das exportações.
Fonte: G1
