O Ceará concluiu a quadra chuvosa de 2026 com um cenário positivo para a segurança hídrica. Os 144 reservatórios monitorados pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) acumulam atualmente 6,95 bilhões de metros cúbicos de água, o equivalente a 53,82% da capacidade total de armazenamento do Estado. De acordo com a Cogerh, este é o terceiro maior volume registrado nos últimos dez anos, ficando atrás apenas de 2024, quando os reservatórios armazenaram 10,2 bilhões de metros cúbicos, e de 2023, com 7,1 bilhões de metros cúbicos.
O resultado é atribuído às boas chuvas registradas em 2026 e reforça a capacidade do Ceará de enfrentar períodos de estiagem. Segundo o diretor de Operações da Cogerh, Tércio Tavares, o Estado dispõe atualmente de aproximadamente 9,9 bilhões de metros cúbicos de água armazenados, quantidade suficiente para garantir o abastecimento pelos próximos dois anos.
Tércio destacou que o Ceará se consolidou como um dos estados mais preparados do Nordeste para lidar com a escassez hídrica, graças à política de armazenamento e ao planejamento de longo prazo adotado na gestão dos recursos hídricos.
O diretor também ressaltou que, diante da atual situação dos reservatórios, não haverá necessidade de utilizar, em 2026, as águas da transposição do Rio São Francisco. Segundo ele, embora sejam estratégicas para o abastecimento estadual, essas águas possuem elevado custo operacional e são utilizadas apenas em situações de necessidade.
Entre os principais reservatórios do Estado, o Açude Castanhão atingiu 33% da sua capacidade, acumulando cerca de 2,23 bilhões de metros cúbicos de água. Considerado o maior reservatório cearense, o equipamento mantém papel fundamental no abastecimento do Vale do Jaguaribe e pode contribuir para o fornecimento de água à Região Metropolitana de Fortaleza, caso seja necessário.
Tércio Tavares também enfatizou a importância de aproveitar os anos de boas chuvas para enfrentar eventuais períodos de seca, comparando a estratégia hídrica cearense à história bíblica de José do Egito, que armazenou recursos durante os tempos de fartura para garantir segurança em momentos de escassez.
Com os bons resultados registrados nos últimos anos, o Ceará reforça sua posição de referência nacional em gestão de recursos hídricos e planejamento para convivência com as condições climáticas do semiárido.

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