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Diabetes tipo 5 ganha destaque e pode afetar milhões de pessoas em todo o mundo

O diabetes afeta atualmente mais de 830 milhões de pessoas no mundo
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Uma forma pouco conhecida de diabetes, associada à desnutrição crônica, vem chamando a atenção da comunidade científica após ser reconhecida pela Federação Internacional do Diabetes (FID). Classificada como diabetes tipo 5, a condição pode atingir milhões de pessoas, especialmente em regiões da África e da Ásia onde a desnutrição infantil ainda é frequente.

O debate ganhou força com casos como o da congolesa Noella Mukumbi, de 30 anos. Diagnosticada inicialmente com diabetes tipo 1, ela passou a receber aplicações diárias de insulina, tratamento padrão para a doença. No entanto, após iniciar a terapia, começou a apresentar tonturas, perda de equilíbrio e episódios de desmaio.

Anos depois, especialistas concluíram que ela provavelmente não tinha diabetes tipo 1, mas sim diabetes tipo 5. Segundo pesquisadores, pacientes com essa condição ainda produzem insulina, embora em quantidade insuficiente, e podem apresentar alta sensibilidade ao hormônio. Por isso, doses convencionais de insulina podem provocar episódios graves de hipoglicemia.

O diabetes afeta atualmente mais de 830 milhões de pessoas no mundo. Enquanto o tipo 1 é uma doença autoimune e o tipo 2 está ligado à resistência à insulina, o tipo 5 estaria relacionado aos efeitos da desnutrição prolongada sobre o desenvolvimento do pâncreas.

Especialistas alertam que a falta de reconhecimento amplo da condição pode levar a diagnósticos incorretos e tratamentos inadequados. A endocrinologista Meredith Hawkins, diretora do Instituto Global de Diabetes da Faculdade de Medicina Albert Einstein, nos Estados Unidos, afirma que erros de classificação podem colocar vidas em risco.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) ainda não reconhece oficialmente o diabetes tipo 5 como uma categoria independente, alegando que faltam evidências científicas suficientes. No entanto, a entidade admite que sua classificação atual não contempla todas as manifestações clínicas da doença e não descarta uma futura reavaliação.

Pesquisas indicam que a condição pode ser mais comum entre pessoas que sofreram desnutrição severa durante a infância e adolescência. Estudos recentes também apontam crescimento dos casos de diabetes em indivíduos com baixo peso corporal, fenômeno conhecido por alguns pesquisadores como “diabetes dos magros”.

Diante do reconhecimento da FID, um grupo internacional de especialistas trabalha na criação de critérios formais para diagnóstico e tratamento da doença. Enquanto isso, médicos seguem avaliando fatores como histórico de desnutrição, baixo peso e resposta incomum à insulina para identificar possíveis casos.

Após a revisão de seu diagnóstico, Noella Mukumbi teve a dose de insulina reduzida e passou a utilizar metformina, medicamento frequentemente empregado no tratamento do diabetes tipo 2. Segundo ela, a mudança trouxe melhora significativa na saúde, com recuperação de peso, melhora da visão e aumento da disposição.

Pesquisadores alertam que o avanço da insegurança alimentar e das crises humanitárias pode ampliar o número de casos nos próximos anos, tornando o diabetes tipo 5 um desafio crescente para os sistemas de saúde em diversas partes do mundo.

Fonte: G1

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