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Safra do caju aumenta oferta e faz preço da fruta cair quase 50% no Ceará

Com maior volume chegando aos mercados, quilo do caju, que já custou R$ 7,70, pode cair ainda mais nos próximos meses.
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A safra do caju já movimenta feiras, mercados e pontos de comercialização em diferentes regiões do Ceará. Com o aumento da oferta, o preço da fruta apresentou queda significativa e passou de R$ 7,70 para cerca de R$ 4 o quilo, uma redução de aproximadamente 48%.

Na Ceasa de Maracanaú, os valores chegaram a recuar ainda mais, variando entre R$ 3 e R$ 3,50. A expectativa é de que os preços continuem caindo conforme a produção avance e uma quantidade maior de frutas chegue ao mercado. Segundo o analista de mercado da Ceasa, Odálio Girão, o aumento da oferta já ultrapassou 20% e é um dos principais fatores responsáveis pela redução dos preços.

A maior colheita começa a partir de agosto, após o período de floração dos cajueiros, que normalmente ocorre em julho. A produção, no entanto, depende diretamente das condições climáticas e, principalmente, da regularidade das chuvas. Nos últimos dois meses, aproximadamente 150 toneladas de caju provenientes da Região Metropolitana de Fortaleza e do Litoral Leste foram comercializadas na Ceasa.

Para Odálio Girão, a tendência é de que os valores fiquem ainda menores a partir de meados de outubro, quando a safra deve alcançar um volume maior. A estimativa é de que, dependendo da quantidade de produto que chegar aos mercados, os preços possam sofrer uma redução de 50% a 60%. A queda beneficia diretamente os consumidores, que encontram a fruta por valores mais acessíveis, e também comerciantes e produtores de derivados, que conseguem adquirir o caju em maior quantidade.

O Ceará é um dos principais estados produtores de caju do país. A produção anual varia entre 80 mil e 95 mil toneladas, dependendo das condições da quadra chuvosa. Além da comercialização da fruta in natura, a cajucultura movimenta uma extensa cadeia produtiva, responsável pela fabricação de sucos, polpas, doces, cajuína, bebidas e diversos outros alimentos. De acordo com Gerson Linhares, diretor e idealizador do Museu do Caju, existem mais de 300 produtos derivados do caju e da castanha produzidos no Ceará.

A atividade também possui forte presença no interior. Cerca de 60 dos 184 municípios cearenses apresentam potencial para a produção de caju, enquanto ações voltadas aos produtores já alcançam mais de 20 municípios. A maior oferta durante a safra também estimula os consumidores a comprar em maior quantidade e aproveitar a fruta para preparar polpas e armazenar para os meses seguintes.

É o caso da aposentada Iêda Ribeiro, que aproveitou os preços mais baixos para levar duas sacolas cheias de caju e preparar polpas para consumo posterior. Comerciantes também aproveitam o período para reforçar os estoques e atender à procura crescente pela fruta e seus derivados. José Alves, que trabalha com a revenda, afirma que o preço atual favorece o comércio e destaca o aumento da procura pelo produto.

A cajucultura, portanto, representa uma atividade que vai muito além da venda da fruta fresca. O aproveitamento do caju e da castanha movimenta produtores rurais, comerciantes e indústrias de diferentes segmentos. Os chamados cajueiros-anões também contribuem para ampliar o período de disponibilidade da fruta, permitindo que parte da produção ocorra durante boa parte do ano.

Com a safra avançando, a expectativa é de maior oferta nos próximos meses, cenário que pode manter os preços em queda e favorecer consumidores e toda a cadeia produtiva do caju no Ceará.

Fonte: GC Mais

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